Sexta-feira, 21 de Junho de 2024
facebook instagram youtube twitter whatsapp
Chapada dos Guimarães
icon-weather
Sexta-feira, 21 de Junho de 2024
facebook instagram youtube twitter whatsapp
Chapada dos Guimarães
icon-weather

Opinião Terça-feira, 15 de Agosto de 2023, 08:48 - A | A

Terça-feira, 15 de Agosto de 2023, 08h:48 - A | A

CONVERSA COM JOÃO ELOY

Clube Patucha – A Saudade

O Clube PATUCHA chegou ao fim

João Eloy

O site Alô Chapada vai trazer, ao longo do mêses de julho/agosto, cinco textos e muitas fotos que contam a história do lendário Clube Patucha, inaugurado no ano de 1974, em Chapada dos Guimarães, e que se transformou em um "point da época". 

Ordem dos textos: - A Ideia; - A Inauguração; - A Revolução; - O Delírio; - A Saudade.

Clube Patucha – A Saudade

O Clube PATUCHA era, literalmente, nosso paraíso na terra, onde esquecíamos de todos os desmandos dos poderes constituídos e oferecia à Chapada, sempre tão fria, um prato tão quente. Era a chapa quente da emoção, era a brasa ardente da cerração, era o palácio de palha do sertão, para o povo alegre arrastar o pé no chão, com fogo selvagem que abalava a calma, causando suspense, despertando a alma do chapadense e de quem ali viesse se divertir. Tão bom que era, quem viveu jamais olvidará!

Em tempos de ditadura, em tempos de guerra, abriu a janela para um paraíso na terra, bem no alto da serra!
Nesta saudade imensa e repentina vem uma pergunta que não quer se calar: “Por que será que tudo que é bom dura tão pouco?”

Com o som das guitarras a gente chegava aos céus; nas asas dos acordes simples, embarcávamos em carrosséis de todas as cores, virávamos crianças em seus brinquedos voadores ou então, inocentemente, deslizávamos no piso de cimento queimado, coberto de palhas de sapé.

Frequentemente, quando descia a neblina, quando já não havia luar e nem estrelas cadentes, cantava-se em todas as línguas: italiano, inglês, espanhol, francês e português, com sofisticados arranjos. Cantávamos, então, na língua dos anjos!

Então nos dias seguintes se tinha notícias, pela boca dos transeuntes, que o som dos instrumentos na noite bela chegava a todos os ninhos, até mesmo dos pássaros da Aldeia Velha.

O Clube PATUCHA chegou ao fim, mas todas aquelas doces lembranças ainda dormem dentro de mim. Madrugadinha éramos uns poucos com as roupas amarrotadas, de tantos abraços e amassos e de saudades, já quase loucos, fechando a noite saboreando a última “Skol”, com a lua plangente beijando o sol.

Muitos ali não haviam tido, durante toda sua vida, uma oportunidade de levantar os pés do chão, atingindo as nuvens da imaginação na vertigem da luz estroboscópica ampliada pela rotação do globo giratório. O clube era então, o reino absoluto das emoções e naqueles momentos nos sentíamos renascer para as aventuras de uma vida rica e saudável, sem restrições.

Também pudera! As luzes coloridas enfeitavam a imensa pista de dança, transformando-a em um multicolorido reino de azul, vermelho, verde e dourado.

Após dançarem com os corpos colados sob ardentes afagos os jovens, para deixarem o clima envolvente de pecado, caíam no “iê-iê-ie”, “rock and roll” e “dance music”, rebolando seus corpos suados livremente.
Observava-se, na movimentação agitada, os cabelos das garotas grudados em sua pele, brilhante de suor. A vitalidade simplesmente, transbordava delas. Assim, amanheciam todos exaustos, porém sentindo o poder da vida correndo nas veias como fogo!

Era interessante ver as meninas retornarem aos seus lares carregando, em uma das mãos suas sandálias e com a outra, suspendiam seus vestidos até os joelhos para evitar que se sujassem, arrastando-os no chão de terra da rua descalça.

Entre gargalhadas e alaridos, comentavam em alta voz, detalhes picantes da noite venturosa. Nem se importavam que, naquele amanhecer, a maquiagem de seus rostos já não estava perfeita, borrando seus olhos e lábios, onde o vermelho do batom manchava seus dentes brancos.
As luzes, as roupas, a música, tudo fazia o clube PATUCHA mais parecer um sonho, quebrando a monotonia da noite chapadense.

E foi justamente nisso que o PATUCHA se transformou: um sonho!

- Acesse aqui o texto: A Ideia

- Acesse aqui o texto: A Inauguração

- Acesse aqui o texto: A Revolução

- Acesse aqui o texto: O Delírio

João Eloy é chapadense, médico, professor, escritor, compositor, músico, apresentador do Programa Varanda Pantaneira e articulista do Alô Chapada

 

O Alô Chapada não se responsabiliza pelas opiniões emitidas neste espaço, que é de livre manifestação

Entre no grupo do Alô Chapada no WhatsApp e receba notícias em tempo real 

Volte para capa do Alô Chapada

Álbum de fotos

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Arquivo pessoal

Patucha

Comente esta notícia