A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) abriu uma Consulta Pública para avaliar a incorporação da técnica de Radioterapia de Intensidade Modulada (IMRT) no rol de procedimentos obrigatórios dos planos de saúde para o tratamento do câncer de reto. Se aprovada, a medida representará um avanço decisivo para ampliar o acesso dos pacientes brasileiros a um tratamento mais seguro e com menos efeitos colaterais em comparação à radioterapia convencional e conformada, técnicas essas, antigas e que espalham mais dose de radiação onde não precisa.
O câncer de reto é uma das manifestações do câncer colorretal, que atinge o intestino grosso, especificamente a porção final antes do ânus. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), somente no triênio 2023–2025 devem ocorrer cerca de 45,6 mil novos casos de câncer de cólon e reto a cada ano no Brasil, sendo 21,9 mil em homens e 23,6 mil em mulheres.
Esse tipo de tumor ocupa hoje a terceira posição entre os mais incidentes no país, sem considerar os casos de pele não melanoma¹, e a tendência é de crescimento: até 2040, a projeção é de aumento de 21% no número de novos casos anuais, passando de aproximadamente 58,8 mil para 71 mil diagnósticos.² O cenário reforça a necessidade de prevenção, diagnóstico precoce e acesso a terapias cada vez mais modernas.
A radioterapia de intensidade modulada (IMRT) já é consolidada internacionalmente e considerada um avanço importante em relação as técnicas convencional e conformada. O método permite moldar os feixes de radiação conforme o formato e o tamanho do tumor, administrando doses mais altas de forma precisa na região comprometida e reduzindo a exposição de órgãos e tecidos saudáveis ao redor, como bexiga e intestino delgado. Essa precisão diminui significativamente os efeitos colaterais agudos, com menos impacto nas atividades diárias do paciente, sem comprometer a eficácia terapêutica.³
Segundo o Dr. Robson Ferrigno, Ex-Presidente da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), a incorporação da técnica pode representar um marco no cuidado oncológico dos pacientes com câncer no reto. “A radioterapia de intensidade modulada já é uma realidade em diversos países e traz benefícios claros no tratamento de tumores, como o câncer de reto. Ao reduzir efeitos colaterais e preservar funções importantes, a IMRT melhora a qualidade de vida dos pacientes e contribui para melhores desfechos clínicos. A aprovação da cobertura pelos planos de saúde será fundamental para garantir equidade no acesso à oncologia de precisão no Brasil”, afirma.
A Consulta Pública nº 160 está disponível no site da ANS até o dia 1 de setembro e representa um marco na discussão de ampliação do acesso a tratamentos avançados para o câncer.
Para contribuir é preciso seguir o passo a passo abaixo:
Acesse o site da Agência Nacional de Saúde Suplementar: Visite ANS - Consulta Publica Gov Tela Inicial, role a tela até encontrar o link de acesso à consulta pública n° 160.
Leia o relatório técnico: entenda os critérios e evidências científicas da IMRT avaliadas.
Envie sua opinião: Preencha o formulário de consulta pública compartilhando suas considerações e apoio à incorporação do tratamento.
A participação na consulta pública nº 160 é uma forma de exercer o direito como cidadão e contribuir diretamente com as políticas públicas de saúde. As contribuições enviadas serão avaliadas pelo comitê da ANS, que analisará o relatório gerado e tomará a decisão final sobre a incorporação do tratamento para a nova indicação.
1 INCA, Instituto Nacional de Câncer. Câncer de Colón e Reto. Disponível em: Link. Acesso em: 20 de agosto de 2025.
2 Fundação do Câncer. Câncer colorretal no Brasil: Projeção de casos novos. Disponível em: Link Acesso em 20 de agosto de 2025.
3 Sociedade Brasileira de Radioterapia. Radioterapia com Intensidade Modulada. Disponível em: Link. Acesso em: 21 de agosto de 2025.
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