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Opinião Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2024, 10:41 - A | A

Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2024, 10h:41 - A | A

Gabriel Novis Neves

Às voltas com a insônia

sou um disciplinado usuário de medicamentos, sempre prescritos pelos especialistas.

Gabriel Novis Neves

Mesmo na qualidade de médico, sou um disciplinado usuário de medicamentos, sempre prescritos pelos especialistas.

Não sou alérgico, o que facilita — e muito — o trabalho de meus colegas.

A enfermeira acompanha a distribuição dos remédios, respeitado o horário. Depois, prega o papel na parte interna da ‘janela’ do armário da copa. 

É roteiro para as cuidadoras. Sem essa ‘colinha’, a administração correta dessas drogas se faz impossível!

Toda atenção a postos, necessito sempre de uma ajuda às oito e às dezoito horas. O total chega ao ‘assombroso’ número de vinte e um comprimidos e cápsulas.

Tenho mantido esse ritmo no decorrer dos últimos cinco anos. Coberto de sucesso!

Mas — existe sempre um ‘mas’ — tomei a peito a decisão de suspender um deles.

E o fiz sem consultar o especialista que me receitou o medicamento para combater minha terrível insônia. Eram três.

Tomando-os, eu passava o dia todo sonâmbulo, o que me dificultava as ações.

Às oito e meia da noite, o sono já me abraçava. Logo me deitava: onze horas seguidas.

Acordava espontaneamente. Tomava o café e me punha a trabalhar, mas com vontade de ficar na cama. 

Resolvi, sem consultar meu especialista, suspender um dos ansiolíticos de receita branca carbonada!

Meu Deus! Por que fiz isto! 

Fui me deitar às nove da noite. Precisei chamar a enfermeira de plantão quase à meia-noite. 

Decidi recuar: tomei o medicamento que havia suspendido. Mais duas horas de espera, e nada do sono chegar!

A enfermeira me ofereceu uma banana-maçã. Recusei. Já me havia servido de outras duas antes de me deitar. 

Nova oferta: um pedacinho de pudim de leite com duas gotas de um hipnótico.

Não pude recusar. Afinal, era a minha última cartada para não passar a noite às claras.

Veio-me a ideia de escrever esta crônica já totalmente estruturada, ao menos na cabeça. Acabei dormindo.

Manhãzinha, o Sol já vinha espreguiçando. Fui acordado pela enfermeira para a rotina do novo dia.

Às oito horas, aferição do peso corporal, sinais vitais, colírio lubrificante. 

Só então pude dar sequência ao que me enche o dia de encantamento. Sem minha crônica diária, parece que meu coração não sorri.

Gabriel Novis Neves é médico e ex-reitor da UFMT e compartilha os seus textos com o Alô Chapada.

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